domingo, 25 de novembro de 2012

ENCONTROS E DESENCONTROS (Lost In Translation, Estados Unidos, 2003)






Ao dirigir este filme Sofia Copolla foi bem específica e exigente. Ela sabia exatamente o que queria e como queria. Ela fez até mesmo a exigência de ser Bill Murray no papel principal. Depois de assistir a este filme, devo agradecer a ela por ter sido tão exigente, pois foram todas essas escolhas que permitiram que esta obra ficasse tão bela.

Desencontros internos muitas vezes permitem um encontro entre seres com afinidade antes desconhecida. Essa vulnerabilidade e aceitação estão cautelosamente dirigidas, interpretadas e expostas neste filme que consegue fazer a melancolia sentir bem.

No enredo deste filme, uma moça (Scarlett Johansson), casada com um fotógrafo de atores e bandas, viaja com o marido para o Japão. Enquanto ele trabalha em suas sessões de fotos, ela fica sozinha no hotel e se desilude com seu relacionamento e sua situação. Quem também viajou para o Japão foi um famoso ator (vivido por Bill Murray), lá ele irá promover um uísque. Tanto o ator quanto a moça estão estranhando o fuso horário, os costumes orientais diferentes e ambos estão desiludidos com seus relacionamentos. Estando no mesmo hotel, eles se cruzam no bar e começam uma amizade necessária e sincera.
  

O Japão até hoje possui uma cultura considerada exótica e bem particular. Esse fato aliado com um fuso horário de quase 12 horas de diferença proporcionam um cenário perfeito para que a história deste filme se desenrole. Nesse lugar, isolado do mundo ocidental e das vidas originais dos personagens, pôde ocorrer um encontro entre pessoas que imediatamente buscaram ajuda uma na outra. Estando distantes de seus mundos, elas se permitiram aproveitar a companhia descontraída uma da outra, imergindo na alegria que ambas se proporcionavam.

Se os momentos que este filme retrata tivesse uma trilha sonora, ela seria exatamente a que é tocada nele. As músicas estão excelentes e se encaixam perfeitamente nos momentos e sentimentos retratados. Fica difícil dissociar os momentos das músicas, pois a união de ambos retrata ainda melhor a situação. A música aqui é parte integrante da cena, e encaixa emoções, pessoas, sentimentos e lugar.

Entende-se logo porque tinha que ser Bill Murray no papel do ator famoso. O fato de Bill Murray ser irreverente, descontraído e engraçado, mesmo sem querer, representa as características exatas do personagem a ser interpretado por ele. Scarlett Johansson também está ótima, lembrem-se que esse papel dela foi antes de ela se tornar o símbolo sexual que é hoje em dia. Por ainda não estar tão conhecida, ficou muito mais fácil para ela interpretar a moça ingênua e pura do filme. Mas não só esses atores merecem os parabéns, os atores japoneses também estão excelentes. Mesmo com participação não tão grande, esses atores orientais ajudaram, e muito, a ambientar as cenas e permitir que elas alcançassem o sentimento de alegria que a carência dos personagens principais tanto procurava.


Esse sentimento era bom de ser sentido, e este filme conseguiu fazer com que o expectador também o sentisse. As músicas, os diálogos, a direção e as atuações envolvem o expectador e transportam a incompreensão, a carência, a necessidade e a felicidade frustrada que os personagens prazerosamente sentem. Isso tudo é recepcionado, assimilado e sentido pelo expectador, que, ao final, fica sem querer sair de frente da tela, na esperança de que o filme continue.


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