quarta-feira, 14 de maio de 2014

AQUI É O MEU LUGAR (This Must Be The Place, Itália, 2011)







O pôster sozinho deste filme já o torna curioso, mas não apenas pelo visual inusitado do personagem, mas também pelo fato de ser Sean Penn o dono desse visual. São conhecidos o comportamento rebelde e o temperamento explosivo desse ator, assim, a imagem de um homem com maquiagem de mulher, inseguro e triste está longe daquela conhecida do Sean Penn. Com isso em mente, a curiosidade de ver o que estava por trás daquele pôster fez eu assistir a este filme, e ainda bem que eu o fiz. A versatilidade desse ator impressiona mais uma vez com uma performance impecável, e a forma sensível com que este filme é retratado nos mostra que somos todos estranhamente únicos, sempre em busca de nos encontrar.


Neste filme, Sean Penn é Cheyenne, um roqueiro aposentado que, por acontecimentos trágicos, vive triste e desiludido consigo mesmo. Após seu pai, um judeu que sobreviveu ao holocausto, falecer, Cheyenne resolve ir atrás do homem que comandava o campo de concentração em seu pai esteve, sendo este seu último desejo.

Esse é o enredo que move a história, mas o que se descobre é muito mais. Na busca por esse criminoso nazista, o personagem de Sean Penn vai gradualmente descobrindo a si mesmo e despindo as camadas protetivas das pessoas que ele encontra no caminho.

Eu já adiantei que neste filme o trabalho de Sean Penn está impecável, mas isso é dizer o óbvio. A atuação desse ator permitiu que enxergássemos toda a estranheza do visual de seu personagem como um retrato sincero e compatível com sua personalidade. Fazendo isso, pôde-se aproximar dele e sensibilizar os espectadores com todas suas excentricidades. Esse efeito foi fruto inegável da atuação de Sean Penn, que impressionou com uma versatilidade que ainda surpreende.

Aliada com a fantástica atuação desse ator, a forma com que a história foi contada permite que se desvende muito mais do que só o enredo principal do filme. O visual do personagem principal é propositalmente estranho e intencionalmente parecido com o visual dos vocalistas das bandas de rock dos anos 80. Esse visual, por si só, já ajuda na descoberta do personagem que, durante sua carreira, escrevia letras de música depressivas e fazia muito sucesso. De qualquer forma, sua imagem é estranha e diferente de todos ao seu redor. Mas a maneira como o filme foi retratado fez com que se percebesse que todos somos igualmente estranhos e inusitados, muitas vezes até mais do que o próprio personagem principal do filme. Entendendo isso, as estranhezas individuais se tornam características particulares, sem causar espanto nos outros.


Essas descobertas acontecem enquanto o personagem principal percorre os Estados Unidos em busca do homem que atormentou seu pai no campo de concentração. Movido parcialmente pelo sentimento de vingança, esse personagem para em pequenas cidades e entra em contato com pessoas simples e reais. Digo reais, pois são pessoas sem quaisquer atributos especiais, no entanto, é aí que se descobre que cada uma é particular a sua maneira, com suas esquisitices únicas. Isso aproxima o personagem principal delas e, principalmente, dele mesmo. Descobrindo e compreendendo sua própria personalidade, esse personagem encontra quem todos nós passamos a vida a procurar, ou seja, a nós mesmos.

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