domingo, 10 de setembro de 2017

O SEGREDO DE SEUS OLHOS (El Secreto de Sus Ojos, Argentina, 2009)







Fiquei sinceramente atordoado ao assistir a este filme, especialmente com seu desfecho. Essa surpresa veio quando finalmente se retira o véu da narrativa deste filme e nos é mostrado qual é realmente a história principal. Você pode até desconfiar dessa manobra durante o filme, mas a delicadeza com que tudo é mostrado e o sorriso por trás de um sopro de alívio dos personagens desarmam o espectador, que também sorri e se vê impossibilitado de desviar os olhos desse filme que, em sua mente, está passando de novo.


Esse filme se inicia nos dias atuais, mas grande parte dele se passa na Argentina na década de 1970, através das memórias do personagem principal. Os personagens principais trabalham no Poder Judiciário. A atriz, Soledad Villamil, faz o papel de promotora de justiça, enquanto Ricardo Darín, ator já bem conhecido, faz o papel de auxiliar, sendo, dessa forma, subordinado a ela.

Na história, o personagem de Ricardo Darín, já aposentado, começa a escrever um livro que trata especificamente sobre um caso de estupro e assassinato que ele investigou no passado. Nessa época, ele trabalhava com a personagem de Soledad Villamil, e vê-se desde logo que há uma tensão emocional entre esses personagens.

Como eu falei, o filme relembra a investigação sobre esse caso brutal que acabou marcando os personagens. No entanto, ao lembrar do caso e ao vasculhar as memórias e os acontecimentos referentes ao fato, relembra-se igualmente da emoção e dos sentimentos entre os dois personagens principais. Vê-se que, apesar de estar sentindo algo profundo, o personagem de Ricardo Darín é constantemente acuado de assumir essa emoção. Esse impedimento mental ocorre por causa da posição de subordinado que ele ocupa, e por pensar que não iria se encaixar no mundo da personagem de Soledad Villamil, uma vez que ela possui outra formação e condições.

Paralelo a esse dilema, vai acontecendo a investigação sobre o crime indicado acima, assim como o trabalho em parceria entre os personagens. À medida que vão sendo descobertos suspeitos e detalhes sobre crime, vão sendo trazidos à tona uma série de detalhes que frustram os personagens e mostram que os fatos adentram em aspectos muito mais complicados.


Eu passei os parágrafos acima falando muito do enredo do filme, mas isso foi proposital. O desafio maior foi eu dar essas informações, mas, ainda assim, não adiantar muita coisa do filme. Quem fez isso de forma magistral foi o diretor, pois, além de contar a história de maneira empolgante e também sensível, ele nos direciona para um lado e, no momento certo, nos desvia para o lugar a que ele estava nos levando desde o começo.
 
As atuações de todos os atores do filme estão excelentes, mas o mérito diferenciado vai, com certeza, para os atores principais, Ricardo Darín e Soledad Villamil. Esses atores nos passam empolgação nos momentos de investigação, mas transmitem sensibilidade nos instantes do carinho retido entre os personagens.

O domínio sobre a narrativa, a cinematografia e as atuações prendem nossa atenção durante toda a duração do filme. No entanto, esse domínio em sobre como contar a história nos arrebata de forma impressionante especialmente na última cena do filme.

Nesse momento, o diretor tirou do eixo a minha percepção sobre o filme e sua história, para posicioná-la em outro lugar, fazendo eu ver a verdadeira história que estava sendo contada desde o começo. No instante final, a sutileza dos atores e o sentimento transmitido pelos seus olhos preencheram um sorriso em meu coração também. Esse sorriso lacrimejante desarmou meus membros e meu cérebro que, vendo o filme acabar, só conseguiu compartilhar da conquista sentimental dos personagens.

Um comentário:

  1. Cesar, uma análise perfeita do filme, os detalhes descritos em um texto de forma atenciosa e delicada. Parabéns pela percepção e por saber pôr em palavras.
    Ah e de fato, a última cena conquista por completo quem assiste!

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