domingo, 30 de janeiro de 2011

FILHOS DA ESPERANÇA (Children Of Men, Inglaterra, 2006)


Desde jovem eu sempre gostei de filmes sobre um futuro apocalíptico. Mesmo após apurar meu gosto e meu estilo eu ainda continuo atraído a esse tipo de fime, e foi isso que desde logo chamou minha atenção para este filme. No entanto, após essa euforia inicial eu percebi que este filme podia se tratar de um película de ótima qualidade. Com esse otimismo, fui assistir a este filme e fiquei desconcertado com o efeito que ele consegue transmitir ao espectador.

A história se passa na Inglaterra em um futuro próximo, e nesse futuro as mulheres do mundo inteiro deixaram de conseguir ter filhos, assim, os seres humanos estão com seus dias contados à medida que a população envelhece. Diante desse panorama, o caos impera pelo mundo e o sentimento de desespero é constante. Assim, vive-se em um cenário de constante revolução devido às repressões experienciadas pela população. Em meio a essa desordem, um grupo revolucionário está de posse da única mulher grávida no mundo e esse grupo tenta transportá-la para outra localidade com a ajuda de um jornalista. Acontece que os motivos que esse grupo possui são políticos e não humanitários. Diante dessa situação a única pessoa disposta a genuinamente ajudar essa mulher que representa esperança para a humanidade é esse jornalista que nem tinha conhecimento da importância de sua tarefa.

Para realizar este filme o gasto com cenários foi considerável. Isso porque várias cenas que se passam na cidade de Londres, por exemplo, precisaram de profundas modificações para se adaptar ao ambiente caótico e apocalíptico vivido no filme. Dessa forma, as cenas que mostram essas localidades tiveram de ser criadas em cenários.


Essa história é retratada pelo diretor com um realismo impressionante, e incomoda por ser possível ver a concretização dessa ideia caótica. Alfonso Cuarón, o diretor, ilustra uma sociedade que vive em caos e que a população é amplamente segregada a fim de se manter a ordem e controlar a onda de violência. Mas, ao realizar isso, o que se obtém são uma constante desordem e a materialização de uma cruel violência patrocinada grandemente pelos agentes do governo. Isso tudo se passa de forma bastante realista e choca o espectador ao assistir essas cenas, mas ao mesmo tempo quem as assiste lamentavelmente admite que é dessa forma brutal que esse controle ocorreria.

Outra característica do filme é que as cenas são longas e isso exige mais dos atores e do diretor para manter a sincronia dos atores com a câmera. O que ajuda nessas cenas longas é que elas são filmadas com câmeras portáteis, o que também aumenta o sentimento de vertigem experienciado por quem assiste ao filme. Esse aspecto frenético que o espectador vive é acentuado nas cenas de ação e perseguição. Como essas cenas estão presentes no filme todo, isso o torna bastante acelerado, mas sem descaracterizar sua relevância dramática. Outro aspecto que merece elogios é a maneira como o diretor e a equipe de maquiagem e efeitos, nas longas cenas de ação, mantém a forma realista durante toda a tomada. A utilização e a movimentação de câmeras portáteis nessas cenas também foram efetuadas com um excelente domínio de técnica, e assim captura-se a imagem sem interromper a fluidez dos acontecimentos.
Clive Owen, o ator que faz o papel do jornalista que tem de transportar a mulher grávida, faz um trabalho digno de destaque ao apresentar um personagem que, mesmo sendo um homem comum, enfrenta situações extremas, tanto fisicamente quanto emocionalmente. O resto do elenco permite que ele carregue seu papel com o destaque necessário e por isso o trabalho desses atores também merece elogios. Dentre os atores coadjuvantes estão verdadeiras estrelas como Julianne Moore e Milchael Caine, e nem por isso seus papéis são diminutos por serem secundários. As cenas de ação não descaracterizam as cenas dramáticas nem fazem desta película um filme exclusivamente de aventura e ação. O centeúdo sentimental, a relevância da história e a forma como ela é cuidada conservam sua importância dramática, e este teor emotivo consegue ser transposto no dedicado trabalho dos atores e do diretor.


A relevância da história apresentada neste filme é atual. Não por causa da ausência de nascimentos no mundo, mas sim por mostrar como uma causa que preocupa a todos é lidada de forma a satisfazer interesses políticos, e não com o desejo de encerrá-la. Isso é retratado de uma maneira realista o suficiente para mostrar a que ponto se pode chegar. Assim, após assistir ao filme, cabe ao espectador exercer seu senso crítico e ficar incomodado o suficiente e não permitir que uma situação antes ficcional passe a ser realidade.


Um comentário:

  1. Ele não tinha visto muito Clive Owen em uma boa história, uma vez que eu participei neste filme, que é o meu favorito para o problema muito real que toca, acho que isso é ótimo ator e sabe muito bem interpretar os papéis dar, como está fazendo agora na série The Knick onde o personagem vai ficar na mão.

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